Explora a influência exercida pelo meio ambiente nos rumos da história da capital, a partir de desdobramentos das atividades de arborização. A investigação buscou reunir narrativas dos dois periódicos locais, acerca do processo de arborização cujos responsáveis eram os funcionários do Departamento de Parques e Jardins, ou DPJ, que atuavam no ambiente local a partir de uma visão utilitarista da natureza e tentativas de controle absoluto. Diante das dificuldades para concluir as atividades de verdejamento da nova capital, o bioma local, o Cerrado, era constantemente apontado pela mídia e pelo DPJ como o verdadeiro obstáculo que deveria ser combatido e modificado por mãos humanas.
Construída durante o governo do presidente Juscelino Kubitschek, Brasília, a terceira capital federal brasileira, foi inaugurada em 21 de abril de 1960. Não estava completamente terminada quando JK, acompanhado de sua comitiva e de inúmeros convidados, cortou a faixa que simbolizava a gênese da nova cidade-capital. Entre os convidados, estava um grupo heterogêneo formado pelos candangos, apelido dado aos operários cujos incalculáveis esforços tornaram possível, em pouco mais de três anos de construção, inaugurar a nova capital.
Um aspecto que chama a atenção, era a priorização do Plano Piloto, em detrimento de outras regiões do Distrito Federal. Projetado por Lúcio Costa, o Plano Piloto era habitado pela classe média brasiliense, composta na época principalmente de funcionários públicos. As notícias, focalizadas nas áreas mais nobres do DF, diziam respeito, sobretudo, às inúmeras atividades de construção e urbanização, mantidas após a inauguração, pois ainda havia muito trabalho a ser feito.