
Aqui você encontra em notas as últimas e mais importantes notícias semanais do agronegócio nacional e internacional
Conab lança concurso público
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) publicou o edital do novo concurso público nacional da empresa. A empresa oferece 403 vagas, e a remuneração inicial para o cargo de nível médio é de R$ 3.459,87 e para cargos de nível superior, o salário é de R$ 8.140,88. O processo, organizado pelo Instituto Consulpam, está com inscrições abertas de 14 de abril a 15 de maio. As provas objetivas e discursivas estão programadas para 13 de julho deste ano, com aplicação em todas as capitais brasileiras. Há oportunidades para assistente, cargo que exige nível médio completo ou médio com formação técnica em tecnologia da informação, contabilidade e técnico agrícola. E para o cargo de analista, que requer nível superior em diversas áreas. Entre as graduações aceitas estão administração, contabilidade, arquitetura, engenharias (civil, elétrica, mecânica, de alimentos, agrícola e agronômica), nutrição, psicologia, economia, gestão do agronegócio, arquivologia, direito, estatística, jornalismo, marketing, letras, pedagogia e tecnologia da informação. Os candidatos interessados devem acompanhar possíveis atualizações no cronograma pelo site oficial do Instituto Consulpam. O valor da inscrição é de R$ 50 para cargos de nível médio e de R$ 80, para os de nível superior. Segundo a Conab, o concurso prevê vagas para diferentes regiões do país e tem como objetivo renovar e fortalecer o quadro de funcionários.
STF decide que execução por crime ambiental é imprescritível
A maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal considerou “imprescritível a pretensão executória e inaplicável a prescrição intercorrente na execução de reparação de dano ambiental, ainda que posteriormente convertida em indenização por perdas e danos”. O STF há tempos considera imprescritível a reparação ambiental, apesar de não haver qualquer disposição legal prevendo esse caminho. Trata-se de construção jurisprudencial. No Recurso Extraordinário (RE) 654833, os ministros decidiram que “embora a constituição e as leis ordinárias não disponham acerca do prazo prescricional para a reparação de danos civis ambientais, sendo regra a estipulação de prazo para pretensão ressarcitória, a tutela constitucional a determinados valores impõe o reconhecimento de pretensões imprescritíveis”.

Quase 3 em cada 4 brasileiros cogitam abandonar a carne
Uma pesquisa inédita do Instituto Datafolha, encomendada pela Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), revelou que 74% dos brasileiros consideram, em algum grau, a possibilidade de parar de consumir carne. O estudo aponta também que 22% da população já tentou adotar uma dieta sem carne ao menos uma vez, reforçando uma mudança de comportamento que pode impactar não só os hábitos alimentares, mas também o mercado e a cadeia produtiva de proteínas animais no país. A pesquisa foi realizada entre os dias 9 e 11 de dezembro de 2024, com 2.006 entrevistas aplicadas a brasileiros de 16 anos ou mais em todas as regiões do país. A maioria dos entrevistados era do sexo feminino (53%) e 61% se declararam pretos ou pardos. Entre os principais dados: 7% da população afirma ser vegana ou simpatizar com o veganismo; 22% já tentaram parar de comer carne em algum momento; 74% concordam, em alguma medida, com a possibilidade de deixar de consumir carne por questões de saúde. Outros fatores relevantes incluem preocupação ambiental (43%) e respeito aos animais (42%). Os números reforçam uma tendência clara de que há uma crescente conscientização sobre o impacto da alimentação na saúde, no meio ambiente e no respeito aos animais.
JBS construirá fábrica no Vietnã
O presidente Lula afirmou que a JBS e o governo do Vietnã assinaram um acordo para a construção de unidades de processamento de carne bovina no país asiático. A afirmação foi feita em entrevista coletiva em Hanói, no Vietnã, onde ele participou de visita oficial. O negócio foi fechado durante a visita oficial do presidente, que marcou a reabertura do mercado vietnamita à carne brasileira. A processadora de alimentos JBS confirmou que irá investir US$ 100 milhões na construção de duas fábricas no país que serão responsáveis pela produção de carne bovina, suína e de aves, e utilizarão, principalmente, matérias-primas importadas do Brasil, destinadas a abastecer o mercado vietnamita e de outros países do Sudeste Asiático. Em 2025, o Vietnã já figura como quarto maior destino das exportações dos produtos da agropecuária brasileira, respondendo por 3,2% do que foi comercializado até fevereiro, atrás apenas de China, União Europeia e Estados Unidos.
Petrobras terá que pagar R$ 36 milhões por danos ambientais
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a condenação da Petrobras ao pagamento de cerca de R$ 36,2 milhões por danos ambientais causados por poluição marinha na Bacia de Campos, litoral norte do Rio de Janeiro. A ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF) teve como base três episódios de poluição marinha ocorridos ao longo de operações da empresa, entre 2012 e 2019, que causaram danos ao ecossistema local: Derramamento de 7,05 m³ de mistura oleosa; vazamento de 15,36 m³ de petróleo; descarte irregular de efluentes sanitários e águas cinzas sem tratamento em alto mar. A Bacia de Campos, responsável por mais de 80% da produção de petróleo do Brasil, abriga um ecossistema marinho de alta biodiversidade, incluindo espécies ameaçadas de extinção como a baleia jubarte (Megaptera novaeangliae) e a tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata). Os incidentes provocaram danos significativos a esses habitats, impactando a cadeia alimentar marinha e a pesca artesanal, essencial para a economia local. Esses incidentes foram considerados como evidências de danos ambientais irreparáveis. O valor da condenação será utilizado para financiar ações de reparação e proteção ambiental.

para que a recuperação da vegetação nativa esteja associada à geração de renda
Governo lança edital de R$ 150 milhões para reflorestamento
Os ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e do Desenvolvimento e Agricultura Familiar (MDA) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lançaram chamada pública para a iniciativa “Restaura Amazônia”. Com R$ 150 milhões do Fundo Amazônia, a ação vai selecionar prioritariamente projetos de restauração ecológica e produtiva em áreas de assentamentos da reforma agrária. Essa é a maior ação já lançada para a recuperação da vegetação nativa em assentamentos no Brasil. A iniciativa visa contemplar projetos de recomposição da vegetação nativa em assentamentos no chamado “Arco do Desmatamento” ou “Arco da Restauração”, território crítico de desmatamento, que vai do leste do Maranhão ao Acre. Com o fortalecimento da restauração produtiva em assentamentos, o governo federal atua para que a recuperação da vegetação nativa esteja associada à geração de renda, melhoria das condições socioeconômicas das famílias assentadas e a segurança alimentar. Estima-se que a iniciativa possa chegar a 945 assentamentos, beneficiando mais de 200 mil famílias em 210 municípios incluídos nas três macrorregiões definidas no projeto. Essa segunda série de editais está alinhada ao Programa Florestas Produtivas do MDA, um dos pilares do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), do MMA.
Munduruku continuam protestando contra marco temporal
Há mais de uma semana as cacicas, caciques, pajés e lideranças do povo Munduruku mantêm o bloqueio da BR-230 em Itaituba, no Pará, em luta contra a tentativa de ressuscitar o marco temporal. O protesto em um trecho da estrada, iniciado em 25 de março, é uma resposta à Lei nº 14.701, de 20 de outubro de 2023, que estabelece que os povos indígenas só teriam direito à demarcação de suas terras se estivessem ocupando-as até outubro de 1988, data da promulgação da Constituição. Os indígenas exigem a revogação da lei que ameaça direitos territoriais indígenas e o fim da Câmara de Conciliação sobre o tema, conduzida pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Eles afirmam que o processo não garante a participação efetiva dos povos originários. Sem respostas das autoridades, intensificaram a manifestação e afirmam que permanecerão com o bloqueio da BR-230 por tempo indeterminado. Indígenas dos Alto, Médio e Baixo Tapajós participam da ocupação.
Recuperações judiciais no agro acende alerta
A recuperação judicial tem se tornado uma alternativa cada vez mais comum no agronegócio brasileiro. No entanto, especialistas alertam para o uso indevido desse mecanismo, que deveria garantir a continuidade de empresas viáveis, mas vem sendo empregado como estratégia para postergar falências e esvaziar patrimônios. A recente escalada de pedidos de recuperação judicial no setor agropecuário está diretamente ligada à volatilidade do mercado. O número de pedidos de recuperação judicial no agronegócio brasileiro bateu recorde em 2024, segundo dados da Serasa Experian. Ao longo do ano, o setor registrou 1.272 solicitações, mais que o dobro do total de 2023, que foi de 534. O levantamento inclui produtores rurais atuando como pessoa física e jurídica, além de empresas relacionadas ao agro. Nos últimos anos, houve um aumento expressivo nos preços dos grãos, inflacionando custos de arrendamento e insumos, sem contar a elevação dos juros e impactos das adversidades climáticas. Com a estabilização dos preços, muitas empresas, que se endividaram durante a alta, foram surpreendidas e buscaram a recuperação judicial como uma forma de ganhar tempo. O problema é que muitas dessas empresas já estão em situação irreversível. Essa prática prejudica credores, reduz a confiança no mercado e pode levar o judiciário a adotar um controle mais rigoroso sobre os pedidos de recuperação.

Projeto permite motorista conduzir trator em via pública com certificado de curso profissional
A Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei que permite aos motoristas de tratores com roda e de equipamentos automotores agrícolas utilizarem apenas o certificado de curso de formação profissional em substituição à carteira de habilitação para pilotar em vias públicas. A medida está prevista no Projeto de Lei 4678/23, de autoria do deputado Valdir Vital Cobalchini (MDB-SC), e alterado pelo relator, deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO). Ayres restringiu a medida aos tratores de roda e aos equipamentos automotores destinados a executar trabalhos agrícolas, conforme já disposto no Código de Trânsito Brasileiro (Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997), que hoje permite a condução em via pública desses dois modelos por condutor habilitado na categoria B (veículos leves). O relator incluiu no projeto a previsão de regulamentação do processo de formação técnica específica de condutores de tratores e máquinas agrícolas pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran).
Petrobras reduziu o preço do diesel
Nesta semana, a Petrobras reduziu seus preços de venda de diesel A para as distribuidoras. O novo valor passará a ser, em média, de R$ 3,55 por litro, uma redução de R$ 0,17 por litro. Considerando a mistura obrigatória de 86% de diesel A e 14% de biodiesel para composição do diesel B vendido nos postos, a parcela da empresa no preço ao consumidor passará a ser de R$ 3,05 /litro, uma redução de R$ 0,15 a cada litro de diesel B. Com o reajuste anunciado, a Petrobras reduziu, desde dezembro de 2022, os preços de diesel para as distribuidoras em R$ 0,94/litro, uma redução de 20,9%. Considerando a inflação do período, a redução é de R$ 1,45/litro ou 29%, de acordo com a companhia, que reforçou a defesa da sua política de preços, alterada em 2023. A atual política é considerada como “brasileiramento” dos valores, pois leva em conta fatores como o custo da produção de petróleo no Brasil e a participação da empresa no mercado consumidor. A intenção é não trazer para o consumidor brasileiro as flutuações bruscas dos preços internacionais e manter a estatal competitiva, para não perder mercado para concorrentes.
Empresa abre 900 vagas para auditores agrícolas
A empresa Bureau Veritas anunciou a abertura de 900 vagas temporárias para a função de auditor agrícola no Projeto Harvest, que visa garantir a rastreabilidade e a conformidade da produção de soja nas principais regiões produtoras do país. As oportunidades são voltadas para os estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Goiás, mas pessoas de todo o Brasil podem se candidatar. A iniciativa é conduzida em parceria com a Kuhlmann Monitoramento Agrícola, empresa do grupo Bureau Veritas. O crescimento da demanda no setor agrícola motivou a ampliação do quadro. As vagas exigem ensino médio completo, idade mínima de 18 anos e carteira de habilitação permanente na categoria B. Candidatos selecionados que residem fora das regiões de atuação terão os custos de deslocamento e alimentação custeados pela empresa. Os profissionais também terão direito a vale-alimentação e opção de transporte. O processo seletivo ocorre de forma online e as contratações seguem até abril de 2025. Não é exigida experiência prévia, pois os aprovados participarão de treinamentos sobre o projeto, atividades e sistemas de inspeção. Após essa etapa, será realizada uma imersão presencial nos escritórios-base ou nas regiões de atuação. As inscrições podem ser feitas CLICANDO AQUI.

Minas Gerais terá novo modelo de policiamento rural
O governo de Minas Gerais apresentou um novo modelo de policiamento no campo baseado no calendário agrícola. O anúncio foi feito para produtores rurais dos mais diversos segmentos, na Feira do Agronegócio Mineiro (Femec) 2025, em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. A metodologia tem o objetivo de prevenir delitos sazonais e específicos de cada localidade e garantir a segurança em todas as etapas da produção. O modelo prevê, inclusive, a desarticulação de quadrilhas especializadas em roubo de cargas, tráfico de drogas e crimes ambientais. Com a iniciativa será possível customizar a atuação preventiva de acordo com as características de produção agrícola de cada município mineiro, levando em conta os ciclos de produção: preparo do solo, plantio, tratos culturais, colheita e vazio sanitário. Dentro do novo modelo de planejamento da PMMG está a realização da operação “PMMG 250 Anos Agrogerais Segura”. Estão previstas, por exemplo, abordagens a veículos e pessoas, além de fiscalizações de infrações ambientais, e orientações aos produtores rurais sobre medidas preventivas de segurança. Além das ações desenvolvidas pelo policiamento rural, que mantém uma presença constante no campo com rondas preventivas nas propriedades, estradas vicinais e áreas de difícil acesso, com interação direta com os moradores destas localidades, a operação contará ainda com alguns reforços.
Juros maiores devem atrapalhar vendas de máquinas
O novo Plano Safra, que deve ser anunciado pelo governo em junho, deverá ter um volume menor de recursos e juros maiores, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Há duas semanas, o setor encaminhou pedido ao governo de um aporte de R$ 21 bilhões para a linha de financiamento do Moderfrota e mais R$ 7 bilhões para o Pronamp. No plano em vigor até 30 de junho, foi anunciado um total de R$ 17 bilhões para as duas linhas, mas os recursos se esgotaram antes do final de 2024. Diante dos juros altos e da “falta de apetite” do Banco do Brasil de emprestar dinheiro ao agro neste ano, o produtor precisa usar mais recursos próprios e outros instrumentos como consórcio para adquirir máquinas. O remédio da taxa de juros alta usada pelo Banco Central para esfriar a economia não serve para o agro, que precisa de mais produção para combater a inflação de alimentos. Para este ano, estima-se um aumento de 8,2% nas vendas em relação aos R$ 60 bilhões de 2024, mas a recuperação mesmo só deve vir em 2027. Isso porque 60% do mercado depende das vendas de máquinas para soja e milho e há uma super oferta de soja que deve persistir até o próximo ano, afetando os preços e reduzindo os investimentos do produtor.
Caixa firma acordos com MDA e MMA
A Caixa assinou acordos com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e o Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas (MMA) que abrangem a realização de uma chamada pública do Fundo Socioambiental (FSA) da Caixa para recuperação de áreas degradadas e a implementação de políticas públicas voltadas às agendas ambiental e climática. Com o Ministério do Desenvolvimento Agrário, a Caixa vai realizar um edital de chamada pública do FSA no valor de R$ 50 milhões para promover a recuperação de áreas degradadas para fins produtivos, apoiando a regularização ambiental da agricultura familiar, contribuindo para a geração de renda das comunidades locais e o aumento da capacidade de produção de alimentos saudáveis e produtos da sociobiodiversidade. O edital está previsto para ser divulgado dia 30 de abril e contemplará inicialmente projetos dos estados do Mato Grosso (MT), Pará (PA), Maranhão (MA), Acre (AC) e Rondônia (RO). A parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima tem como foco a estruturação de programas, ações e iniciativas de promoção de políticas ambientais e climáticas. As instituições se apoiarão na implementação de políticas públicas nas seguintes agendas: promoção da bioeconomia; conservação da biodiversidade e restauração de ecossistemas naturais; desenvolvimento socioambiental de povos e comunidades tradicionais; gestão de resíduos sólidos e economia circular; gestão da qualidade do ar; gestão ambientalmente adequada de substâncias químicas; mitigação e adaptação climática; combate ao desmatamento; promoção da educação ambiental. Os acordos marcam o início da “Jornada Caixa Rumo à COP 30”, um conjunto de iniciativas que será realizado até a conferência do clima em novembro e que realça os valores e a estratégia corporativa do banco, envolvendo a construção de uma sociedade sustentável, inclusiva e diversa, com responsabilidade social e ambiental.

Congresso aprova reciprocidade a medidas comerciais contra o Brasil
O congresso aprovou projeto que estabelece critérios para a reação do Brasil a barreiras e imposições comerciais de nações ou blocos econômicos contra o país, como o tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Com o apoio de governistas e de setores do Congresso que se alinham à oposição, como a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), a proposta foi aprovada por unanimidade no plenário do Senado. A Câmara também aprovou o projeto apesar da obstrução – tentativa de impedir votações – imposta pelo PL, que cobra a votação do projeto da anistia aos presos do 8 de janeiro. O texto aprovado estabelece medidas de resposta a decisões unilaterais de outros países que impactem negativamente a competitividade brasileira e não se refere apenas aos Estados Unidos, mas a todos os mercados com os quais o Brasil tem comércio exterior. Agora, segue para sanção do presidente Lula. Mundo reaje ao tarifaço.
Mundo reage ao tarifaço de Trump
Trump, anunciou uma tarifa de 10% sobre todas as importações de produtos brasileiros. Segundo o governo americano, essa alíquota corresponde à mesma aplicada aos produtos importados pelos Estados Unidos. A decisão faz parte de um pacote de tarifas que Trump vinha prometendo desde o início de seu mandato. A medida afeta produtos de diversos países, com taxas que entram em vigor de forma imediata ou nos próximos dias. O percentual de 10% será o mínimo aplicado a outras nações. As tarifas variam conforme o país e são classificadas como “recíprocas” pelo governo americano, ou seja, quanto maior a tarifa cobrada sobre produtos dos EUA, maior será a taxa aplicada pelo país norte-americano. Além do Brasil, foram citados como alvos da medida China, Taiwan, Vietnã, Japão, União Europeia, Tailândia e Coreia do Sul, entre outros. No entanto, países como Canadá e México, que estavam sendo cogitados para a lista, não foram incluídos. O governo brasileiro ressalta que os EUA tiveram um superávit comercial de US$ 7 bilhões em bens no Brasil em 2023, e de US$ 28 bilhões ao incluir serviços. Esse saldo comercial foi o terceiro maior superávit dos Estados Unidos com um país em todo o mundo. As novas tarifas passarão a valer a partir das 00:01 de sábado, 5 de abril, para as alíquotas básicas. As chamadas tarifas recíprocas entrarão em vigor na quarta-feira seguinte, 9 de abril. Lula analisa estratégias para responder à nova tarifa de importação imposta por Trump, lamentando a decisão e destacando que os EUA registraram um saldo positivo de US$ 43 bilhões na balança comercial bilateral nos últimos dez anos. O governo brasileiro argumenta que a maioria das exportações americanas para o Brasil já ocorre sem tributação, e a tarifa média efetiva seria de apenas 2,7%. O país buscará por acordos comerciais, parcerias e, em caso de continuidade de conflito, a arbitragem internacional para, só em último caso, concretizar medidas de retaliação. O Brasil sempre procura preservar uma política de negociações amplas com todos os blocos econômicos do mundo, sem ideologizar o comércio internacional, que deve se guiar pela busca de parceiros com os quais possa vender, colocar seus produtos e também comprar, almejando um fluxo natural, previsível, e não medidas repentinas que perturbem esse andamento. O país se mantém aberto ao aprofundamento do diálogo estabelecido ao longo das últimas semanas com o governo norte-americano para reverter as medidas anunciadas e contrarrestar seus efeitos nocivos o quanto antes. O governo chinês anunciou tarifas de 34% a todos os bens importados dos Estados Unidos, em resposta ao tarifaço americano. As taxas chinesas entram em vigor no dia 10 de abril. Para a ApexBrasil, o tarifaço poderá acelerar o processo de acordo entre o Mercosul e a União Europeia, abrindo novas possibilidades comerciais para o Brasil e demais países. Alguns analistas já falam que pode ser que os Estados Unidos estão agora abrindo a era da China. A França realizou uma reunião com 10 países da UE para discutir um possível acordo comercial com o Mercosul, um dia após os Estados Unidos terem desencadeado uma guerra comercial global. Na reunião, foi defendida a ideia de incluir no acordo uma cláusula de escape automática para produtos agrícolas, com a concordância da importância de diversificar as parcerias comerciais. Do outro lado, Trump declarou que está aberto a negociações tarifárias se outros países oferecerem “algo fenomenal” em troca, considerando um acordo em que China aprovasse a venda do TikTok em troca de alívio tarifário e que múltiplos investidores estão envolvidos nas negociação da rede social chinesa. No reflexo das medidas tarifárias americanas, os principais índices de Wall Street afundavam nesta semana, uma vez que as tarifas sobre os parceiros comerciais provocavam temores de uma guerra comercial e aumentavam o risco de uma recessão econômica global. O Dow Jones caiu 3,49%, a 40.751,61 pontos. O S&P 500 apresentou queda de 3,85%, a 5.452,81 pontos, enquanto o Nasdaq Composite recuou 4,76%, a 16.762,48 pontos. As ações globais caíram, os títulos governamentais saltaram e o ouro atingiu a máxima recorde. Analistas avaliam que o tarifaço vai minar ainda mais o vigor de uma economia mundial que mal se recuperou do aumento da inflação pós-pandemia, sobrecarregada por uma dívida recorde e desconcertada por conflitos geopolíticos. A situação cria uma iminente guerra comercial no mundo, podendo afetar o crescimento econômico e desorganizar toda a produção do planeta nos próximos anos. Trata-se de um divisor de águas, não apenas para a economia americana, mas para a economia global. Muitos países provavelmente acabarão entrando em recessão.
Governo lançará programa de assistência técnica para produtores rurais indígenas
O Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) lançará nos próximos dias um programa de assistência técnica especialmente voltada para produtores rurais indígenas. A medida é necessária pois “os indígenas querem produzir seus alimentos, mas esbarram em coisas formais” segundo o ministro Paulo Teixeira. A medida priorizará povos do Xingu, na amazônia, e os guarani kaiowá, que vivem em Mato Grosso do Sul. Teixeira lembrou ainda que já existe um Pronaf para indígenas com financiamento de R$ 50 mil, 5% de juros e desconto de 20% do valor financiado. De acordo com a Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) de Mato Grosso do Sul, os primeiros indígenas a adquirir recursos pelo Pronaf A foram os terena Oto Pauferro e Livrada Pauferro.

Exemplar da Raça no Mancha Crioula 2025 – Foto: João Morais
Égua de SC é eleita Melhor Exemplar da Raça no Mancha Crioula 2025
O Mancha Crioula 2025 reafirmou seu prestígio ao reunir uma seleção expressiva de exemplares da raça nas pelagens bragadas, tobianas e oveiras. Encerrando a avaliação morfológica de machos e fêmeas, o evento projetou um futuro promissor para a valorização do selo racial. Ao final do evento, a égua Marconi Tatuagem foi consagrada como Melhor Exemplar da Raça. Sob organização da Trajano Silva Remates, Marconi Tatuagem, uma gateada bragada salgo direito, conquistou o título de Grande Campeã em sua categoria. Criada por Alexandre Espíndola Araújo e exposta por Marcelo Zermiani, a égua levou o troféu máximo do Mancha Crioula para a Cabanha Zermiani/TRV, de Itajaí (SC). Na competição, superou o Grande Campeão dos machos, Iguaçu del Tierba, um exemplar de pelagem colorada bragada salina. Criado por Carlos Ricardo Szczerbowiski e exposto por Rosinei Áustria e Bruno Knopf Khun, Iguaçu brilhou na categoria Potranco Maior, garantindo o título de Grande Campeão e levando o reconhecimento para a Cabanha Volvo, de Bento Gonçalves (RS).
Brasileiro conquista Nobel do meio ambiente

O antropólogo e professor Eduardo Brondízio, que leciona a disciplina de antropologia ambiental na Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, e é associado no Programa de Pós-Graduação em Ambiente e Sociedade da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), receberá o Prêmio Tyler 2025, um mais importantes na área ambiental, em nível mundial, conhecido como o Nobel do meio ambiente. A honraria será compartilhada com a ecologista argentina Sandra Díaz. Brondízio realiza pesquisas sobre a amazônia há 35 anos e atua como uma voz internacional sobre a importância da valorização das comunidades ribeirinhas e dos povos tradicionais na conservação ambiental e nas políticas de sustentabilidade. Díaz e Brondízio são reconhecidos ainda pela sua atuação na promoção de políticas e ações que integrem a justiça socioambiental. A cerimônia de premiação está marcada para o dia 10 de abril de 2025, em Los Angeles. O brasileiro e a argentina são os primeiros sul-americanos reconhecidos com o prêmio.
MapBiomas publica segunda coleção de mapas anuais de cobertura e uso da terra
O MapBiomas publicou sua segunda coleção de mapas anuais de cobertura e uso da terra do Brasil feita a partir de imagens de satélites com resolução espacial de 10 metros. A Coleção 2 (beta) MapBiomas 10 Metros, produzida com dados dos satélites Sentinel-2, traz os anos de 2016 a 2023 e utiliza métodos semelhantes e a mesma legenda das classes de cobertura e uso da terra da Coleção 9 do MapBiomas Brasil (até o nível 3 da legenda). Melhorias serão implementadas nas próximas coleções, visto que esse produto estará em constante desenvolvimento. Entre as melhorias desta segunda coleção estão a inclusão das classes de floresta alagável na amazônia, além de aquicultura e apicum na Zona Costeira. O apicum é o bioma localizado na região que fica exposta a inundações intermediárias em luas cheias, com altíssima salinidade, portanto, não abriga árvores como no caso do mangue. Também foi adicionado nesse módulo a busca pelo código do CAR (Cadastro Ambiental Rural) ou geometria desenhada pelos usuários. A maior resolução espacial no mapeamento anual de cobertura e uso da terra contribui para análises mais detalhadas, em especial de imóveis rurais, também refinando o mapeamento de algumas classes como, por exemplo, floresta ripária em Áreas de Preservação Permanente (APP) ao longo dos rios e nascentes.

educacional mais elevado e aumento da presença feminina nos cargos ocupados
28 milhões de pessoas atuaram no agro em 2024
O agronegócio brasileiro tinha no ano passado 28,2 milhões de pessoas ocupadas, segundo o boletim trimestral “Mercado de Trabalho do Agronegócio Brasileiro”, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em parceria com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Esse é o maior número registrado desde o início da série histórica, em 2012. O setor respondeu por 26,02% das ocupações totais do país, um crescimento da população ocupada no agronegócio de 1,0% em relação a 2023, impulsionado pelos segmentos de insumos, agroindústria e, principalmente, agrosserviços. De acordo com o boletim, em 2024 os rendimentos mensais dos empregados no agronegócio cresceram 4,5% na comparação com 2023, superando o comportamento registrado no mercado de trabalho geral (4,0%). A publicação mostrou, ainda, crescimento do número de empregados com ou sem carteira assinada em 2024, além de maior participação de trabalhadores com nível educacional mais elevado e aumento da presença feminina nos cargos ocupados.
Vendas de máquinas e equipamentos sobem 17% no 1º bimestre
A receita de vendas da indústria de máquinas e equipamentos atingiu R$ 43,3 bilhões nos dois primeiros meses do ano, 16,9% acima do registrado no mesmo período de 2024, conforme dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). O resultado das vendas do acumulado de janeiro e fevereiro é o primeiro positivo após três anos consecutivos de queda nas receitas nos primeiros bimestres, de 2024, 2023 e 2022. Entre os mercados compradores, o destaque foi a melhora na demanda de máquinas para fabricação de bens de consumo, das agrícolas e para construção civil.Em fevereiro as vendas de tratores subiram 15,9%, na comparação o mesmo mês do ano passado, segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), associação que representa revendedores de equipamentos usados no campo. No total, 3,2 mil tratores de rodas foram vendidos em fevereiro. Na comparação com janeiro, a alta foi de 0,7%. No acumulado dos dois primeiros meses do ano, houve crescimento de 14,2% das vendas de tratores. O balanço da Fenabrave mostra ainda que foram vendidas 384 colheitadeiras, caindo 4,5% em fevereiro ante o mesmo mês do ano passado. Na passagem de janeiro para fevereiro, houve queda de 26,9% no segmento.
Polícia prende suspeito de tráfico com 215 animais em cativeiro
A Polícia Civil do Paraná (PCPR) prendeu em flagrante nesta semana, na região dos Campos Gerais, um homem investigado pelo crime de tráfico de animais. A corporação já monitorava o suspeito por meio de anúncios na internet. Durante a operação, os oficiais encontraram um cativeiro onde 215 animais eram mantidos. No local, foram apreendidos pássaros nativos e exóticos, serpentes da América do Norte e cães da raça pug. Os animais estavam em condições inadequadas e seriam destinados à venda. O homem foi autuado em flagrante pela polícia e responderá pelos crimes de tráfico de animais e maus-tratos. Para essas infrações, as penas podem chegar a seis anos de prisão.

São Paulo endurece multas para incêndios criminosos
O Governo de São Paulo anunciou o início da fase amarela da Operação São Paulo Sem Fogo, voltada à prevenção e preparação para o período crítico da estiagem. Entre as medidas, estão a compra de equipamentos, treinamentos, reforço de equipes e ampliação da estrutura de combate a incêndios. Uma das principais mudanças é o endurecimento das penalidades para quem provocar queimadas ilegais. Alterações na legislação ambiental preveem multas específicas para proprietários rurais que não adotarem medidas preventivas, variando entre R$ 5 mil e R$ 10 milhões. Quem causar incêndios em áreas produtivas ou vegetação sem autorização poderá pagar R$ 3 mil por hectare atingido, com possibilidade de dobrar em casos mais graves. Além do aumento nas punições, o governo investirá R$ 17,3 milhões na compra de 101 veículos e 336 equipamentos para a Defesa Civil, com entrega prevista para maio. Também serão realizadas 15 oficinas preparatórias, distribuindo kits de proteção e combate às queimadas para cerca de 200 municípios prioritários. Outra iniciativa é a ampliação do Centro de Gerenciamento de Emergência (CGE), que contará com um novo serviço de meteorologia para previsões mais precisas. Na área ambiental, a Fundação Florestal destinará R$ 11 milhões para ações de prevenção e combate, incluindo a contratação de bombeiros civis e aquisição de equipamentos. O Departamento de Estradas de Rodagem (DER/SP) também investirá mais de R$ 300 milhões na manutenção de rodovias, com serviços de roçada e capina para reduzir o risco de queimadas nas faixas de domínio.
FPA se antecipa ao Abril Vermelho do MST e mira ministros em caso de ocupações de terras
O quarto mês do ano iniciou e a bancada do agro no Congresso já fica em alerta por conta do Abril Vermelho, tradicional período em que as ocupações à propriedades rurais organizadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) se intensificam. De acordo com parlamentares da oposição, este ano as ações do grupo já começaram antes, mais precisamente em 8 de março, no Dia Internacional da Mulher, quando a Jornada de Luta das Mulheres Sem Terra começou a pressionar o governo para acelerar o repasse de terras. Neste caso, as fazendas ocupadas se concentraram nos estados do Ceará, Espírito Santo e Bahia. Parlamentares integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e outras lideranças do agro brasileiro apresentaram um documento que, na visão da bancada, mostra a fragilidade da relação entre a reforma agrária e o setor produtivo. a Frente produziu um diagnóstico sobre os fatores que ameaçam o direito à propriedade no Brasil. será apresentado aos líderes dos partidos políticos no Congresso e aos presidentes da Câmara e do Senado para demonstrar “o desmonte total da política de reforma agrária do país”.
Tarifaço americano pode trazer impactos desastrosos para 19 produtos do agro

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) divulgou uma nota técnica com análise sobre os efeitos do tarifaço americano sobre as exportações do agronegócio brasileiro. A entidade classifica impactos “críticos” ou “altos” para 19 produtos, como carne bovina industrializada, outras substâncias proteicas e madeira perfilada, por exemplo (veja lista completa acima). Atualmente, os Estados Unidos são o terceiro principal destino dos produtos do agro nacional, atrás apenas de China e União Europeia. Em 2024, os norte-americanos responderam por 7,4% da pauta brasileira no setor, atingindo a marca de US$ 12,1 bilhões.

Anvisa proíbe a comercialização de suplementos alimentares com ora-pro-nóbis
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu a Resolução-RE nº 1.282, de 02 de abril de 2025 que proíbe, a partir de agora, a fabricação, distribuição e venda de suplementos alimentares que contenham ora-pro-nóbis (Pereskia aculeata) em sua composição. Além disso, as empresas estão impedidas de fazer qualquer tipo de propaganda que promova os supostos benefícios dessa planta em produtos alimentares. A agência esclareceu que o ora-pro-nóbis, também conhecido como “pereskia” ou “cacto comestível”, não é um ingrediente aprovado para ser utilizado em suplementos alimentares no Brasil. A resolução surge após a observação de que diversos suplementos contendo a planta estavam sendo comercializados de forma irregular, em desacordo com as normativas técnicas estabelecidas para esse tipo de produto. De acordo com a Anvisa, para que um ingrediente seja considerado seguro e eficaz para compor suplementos alimentares, ele precisa passar por uma avaliação científica rigorosa que comprove que o componente possui valor nutricional ou outro tipo de benefício relevante para a saúde humana. A agência destacou que as empresas interessadas em vender produtos com novas substâncias devem fornecer evidências claras sobre a segurança e eficácia desses ingredientes. Também aproveitou para reforçar que suplementos alimentares não têm a função de tratar ou curar doenças. O papel desses produtos é exclusivamente complementar a alimentação diária, fornecendo nutrientes, bioativos, enzimas ou probióticos para pessoas saudáveis. Portanto, qualquer alegação terapêutica associada a esses produtos é inadequada e não autorizada pela legislação vigente. Por fim, a agência tranquilizou a população, informando que a medida não afeta o uso do ora-pro-nóbis em sua forma natural, como planta fresca ou em preparações caseiras.
Mapa busca opções para ampliar Plano Safra
O Ministério da Agricultura tem procurado alternativas para conseguir aumentar o volume de recursos para os financiamentos do próximo Plano Safra 2025/26. Diante da escalada da Selic, atualmente em 14,25% ao ano, e da dificuldade fiscal da União, a Pasta admite a possibilidade de aumentar os juros do crédito rural na próxima temporada, a partir de julho, e fala em usar a criatividade para encontrar novas fontes para apoiar o setor produtivo. Se a Selic sobe, tem que pagar a mais de equalização. Existem somente duas opções: ou aumentar os juros ou diminuir os recursos. No caso de aumentar os juros, os agricultores não vão gostar. O governo não pretende reduzir o volume. Está no radar do ministério a busca por novas fontes de recursos para compor o funding do Plano Safra. Uma alternativa é “flexibilizar” as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) para “render” mais recursos nas linhas de crédito rural. Entre as alternativas estão aumentar a exigibilidade das LCAs, atualmente em 50%, ou mudar a regra de 2024 que elevou de três para nove meses o prazo mínimo para resgate dos títulos pelos investidores, o que é defendido pelas instituições financeiras. O Banco Central defende um meio-termo, em seis meses. Está em análise a possibilidade de usar o Fundo Social do pré-sal (Lei nº 12.351, de 22 de dezembro de 2010) para determinadas linhas de crédito na próxima temporada, como para o atendimento ao Rio Grande do Sul que passa por nova estiagem.
Fazendeiros correm risco de perda do imóvel para a União
Proprietários de imóveis rurais localizados em faixas de fronteira no Brasil devem ficar atentos ao prazo para regularização de seus terrenos. Conforme determina a Lei Federal nº 13.178, de 22 de outubro de 2015, imóveis com mais de 15 módulos fiscais nessas regiões precisam passar por um processo de ratificação de títulos até o dia 22 de outubro de 2025. Caso contrário, a penalidade prevista é a perda do imóvel para a União. 35 mil fazendeiros correm risco de perda do imóvel. A regra vale para áreas cuja origem seja de terras públicas concedidas pelos estados e que estejam situadas até 150 quilômetros das fronteiras terrestres do país. O objetivo da norma é dar segurança jurídica para os produtores e preservar a soberania nacional. A legislação busca resolver pendências antigas e garantir a legalidade da posse, já que imóveis em áreas de fronteira estão submetidos a regras específicas pela Constituição. Apesar de ser uma obrigação relevante, a regra ainda passa despercebida por muitos proprietários. A obrigatoriedade atinge propriedades que, em 22 de outubro de 2015, tinham área superior a 15 módulos fiscais — medida que varia conforme o município — mesmo que tenham sido desmembradas depois desta data. A recomendação é que os proprietários busquem as origens dos seus registros imobiliários para verificar se estão sujeitos à ratificação. O processo pode envolver custos, mas é fundamental para evitar riscos. O proprietário que não regularizar corre o risco real de perder o imóvel para a União. A perda do imóvel, prevista pela lei, torna imprescindível essa análise com urgência. Em alguns estados brasileiros, Tribunais de Justiça já editaram provimentos e instruções para orientar os cartórios sobre como conduzir a ratificação, e a expectativa é que outros façam o mesmo em breve.

em sedes do Incra estão previstas em todas as regiões do país
MST prepara ocupações e doações de alimentos em denúncia ao agro e por reforma agrária
O Abril Vermelho, jornada anual de mobilização do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), pretende pressionar o governo federal – cujas políticas para a reforma agrária são consideradas “aquém” do necessário – e defender no debate público que o modelo que se contrapõe ao agronegócio é aquele que, de fato, pode levar comida à mesa da população. O mote deste ano é “Ocupar para o Brasil alimentar”. Ocupações de latifúndios, marchas, distribuição de alimentos e protestos em sedes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) estão previstas em todas as regiões do país. A maior parte das ações acontece até o dia 17 de abril, marco dos 29 anos do Massacre de Eldorado do Carajás. Desde que, em 1996, a repressão policial a uma marcha no Pará deixou 21 camponeses mortos e outros 69 mutilados, a data se tornou o Dia Internacional de Lutas pela Reforma Agrária. Alta do preço dos alimentos, 145 mil famílias vivendo em acampamentos no país – 100 mil delas ligadas ao MST – e um recente anúncio do governo Lula que deverá assentar 8% desse montante. É neste contexto que chega o Abril Vermelho de 2025. Para a coordenação nacional do MST, é o momento de pressionar para que o orçamento federal para a reforma agrária seja recomposto, para que essa dívida com o país seja sanada. A reforma agrária é um instrumento importante no combate à fome, à desigualdade social, à crise climática, mas também pode contribuir na diminuição dos preços dos alimentos.